sexta-feira, 17 de junho de 2011

Halitose: Como abordar o paciente e como tratá-lo PARTE 2

BASES BIOLÓGICAS DA FORMAÇÃO DA HALITOSE

A Halitose ocorre em Ph alcalino e neutro e é inibido pela acidez

Fundamentais - Presença de bactérias G (-) Anaeróbicas
- Presença de aminoácidos
- Efeitos Estimulatórios
- pH , pO2 e potencial de óxido-redução
A microbiota oral

Bactérias Sacarolíticas
Assacarolíticas (proteolíticas)
Prevotella intermédia e o Fusobacterium nucleatum podem utilizar carbohidratos e proteínas
A microbiota periodontopatogênica
Treponema denticula e Phorphyromonas gingivalis são os mais importantes na formação de microbiota fétida.

BASES BIOLÓGICAS DA FORMAÇÃO DA HALITOSE

Na presença de glicose o Eh elevou-se +470 mV
- É atribuído a formação do peróxido de hidrogênio quando a glicose é utilizada pelas bactérias na presença de oxigênio.
- Aminoácidos como substratos bact. Gram [-] => O2
- Degradação de certos aminiácidos são essenciais para a produção do mau hálito.
- Modelos "in vitro" como o de sedimento salivar preparado a partir da saliva total contribui para a compreensão dos processos envolvidos na produção do mau hálito.

PCR na saliva - determinação de bactérias periodontopatogênicas
Bacterioides forsythus, Phorphyromonas gingivalis , Prevotella intermedia e Actinobacillus actinomycetomcomitans (Awano e cols 2002)


Correlação significativa com níveis de Metilmercaptana em pacientes com Halitose com e sem doença periodontal


Substrato para algumas cepas bacterianas:

- Fusobactérium nucleatum
- Haemóphilus parainfluenza
- Veillonella alcalescens
- Phorphyromonas gingivalis
- Prevotella intermedia

EFEITOS ESTIMULATÓRIOS PARA HALITOSE

São determinados pelo metabolismo bacteriano 
pH – Halitose relaciona-se com pH alcalino e é inibida pela acidez
Ex: putrefação de material proteico e Fermentação de açucares

pO2 – Esgotamento do consumo de O2
Potencial de óxido-redução – Alterações no pH e/ou pO2 alteram o potencial de óxido redução







Condições essencias para haver Halitose


CLASSIFICAÇÃO & TRATAMENTO DA HALITOSE















Halitose imaginária (halitofobia)

-Vários estados psicológicos:
*Ilusão
*Hipondria
*Desordens obcessivo-compulsivas
*Síndrome da referência olfatória

*HALITOFÓBICOS SE PREOCUPAM EM TER HALITOSE CONSTANTEMENTE
*APRESENTAM CUIDADO BUCAL OBCESSIVO
*PERDEM DÉCADAS DE ISOLAMENTO
*PERMITEM A EXTRAÇÃO DOS DENTES
*PODEM ATÉ MESMO COMETER SUICÍDIO

TRATAMENTO DA HALITOSE FISIOLÓGICA


Tratamento
A saúde bucal é a condição básica para o controle do mau odor bucal.

O tratamento da halitose fundamenta-se em duas abordagens:
1 – Redução na disponibilidade de nutrientes
- Ação sobre a saburra lingual
- Avaliação da saliva

2 – Redução da carga bacteriana
Ação sobre higiene oral deficiente, doença periodontal e cáries
Uso de antimicrobianos Enxaguantes e antibióticos orais
Uso de probióticos

Antimicrobianos Utilizados no Tratamento da Halitose
- Óleos aromáticos 
- Bicarbonato de sódio 
- Peróxido de hidrogênio 
- Perborato de sódio monohidratado
- Gluconato de clorexidina 
- Cloreto de benzalcônio
- Clorito de sódio 
- Clorato de sódio
- Tween 60 
- HalitaAE (clorexidina, cloreto de cetilpiridínio e lactato de zinco) 
- Bicarbonato de sódio e zinco
- Breathnol (mistura de temperos aromáticos e comestíveis)
- Ozônio 
- Extratos de chá de Taiwan
- Cloreto de cetilpiridínio 
- Dióxido de cloro 

Em Tratamento e Interrupção no uso de Dióxido de Cloro (CLO2)
Em Tratamento com Dióxido de Cloro
Interrupção do Tratamento com Dióxido de Cloro
Enxaguante com Dióxido de Cloro

- Em enxaguantes onde o dióxido de cloro vem associado ao cloreto de cetilpiridínio, a interação do clorito de sódio (de natureza aniônica e fortemente oxidante) com o cloreto de cetilpiridínio (que é catiônico) resulta em liberação do oxigênio.
- O cloreto de cetilpiridínio possui a capacidade de desnaturar proteínas e destruir microrganismos.
- Depois que o oxigênio foi liberado devido à interação entre o clorito de sódio e o cloreto de cetilpiridínio, tem lugar a oxidação dos microrganismos anaeróbios, preservando, no entanto, os sistemas aeróbios dos tecidos bucais.
- CONTROLE BIOLÓGICO – PRESERVANDO A MICROBIOTA NATURAL.

O PROBLEMA DA BOCA SECA - XEROSTOMIA
 

- Dificuldade para mastigar, engolir, ou falar
- Mau hálito
- Cárie dental, erosão dental e doença gengival
- Lábios rachados
- Língua áspera, ressecada
- Feridas bucais e úlceras
- Sensação de queimação na boca
- Candidíase bucal
- Sono interrompido por causa da sede





COMPOSIÇÃO DA MUCINA NA SALIVA

aa.:
- CISTINA
- CISTEÍNA
- METIONINA

- Precursores do H2S e METIL MERCAPTANA 
-Cisteína salivar pode ser considerado um marcador confiável da severidade de dano aos tecídos bucais.

Teste de Sialometria
1- Sialometria em Repouso
2- Sialometia Mecânica
3- Sialometria Farmacológica
- Volume salivar,
- Viscosidade
- Turbidez
- Coloração
- Odor

Tratamento fluxo salivar reduzido / Xerostomia

AUMENTO DA MUCINA POR REDUÇÃO DO FLUXO SALIVAR
1- SIALOGOGOS MECANICOS – hiperbolóide

2- SIALOGOGOS GUSTATÓRIOS- alimentos salgados, azedos tipo limão, ameixa umebóide

3- SIALOGOGOS FARMACOLÓGICOS – pilocarpina, betanecol.
HIPERBOLÓIDE
Instrumento de Mastigação

Descrição:

O Hiperbolóide é um instrumento de mastigação usado como auxiliar na Terapêutica Ortopédica Funcional dos Maxilares.
O Hiperbolóide é uma borracha de silicone com forma hiperbólica, daí a sua fundamentação científica. Ele é atóxico, insípido e inodoro. Além de ser usado com a finalidade acima descrita, o seu uso se estende à área da salivação. Por conseguinte, ajuda a digestão e nutrição, assim como também auxilia na prevenção da cárie dentária, litíase salivar e no combate ao mau-hálito.

Raspadores linguais

A escova não é eficiente para a remoção dos restos epiteliais e de bactérias no dorso da língua, mas existem raspadores linguais capazes de remover os resíduos. Com ele se remove a saburra da língua sempre de trás para frente. Segurar a ponta da língua com uma gaze para puxá-la um pouco para fora ajuda a operação e outra gaze pode ser usada para recolher os resíduos. No começo, a pessoa sente um pouco de náusea, mas ela diminui com o tempo e o autocontrole desenvolvido.





Tratamento halitose

- ANTIBIÓTIOTERAPIA
A higiene bucal inadequada desencadeia a proliferação migratória de bactérias anaeróbicas nos seus tecidos. As infecções anaeróbicas bucais têm sido tratadas com metronidazol ou clindamicina. O metronidazol é a droga de escolha para a doença periodontal por duas razões: Suscetibilidade dos anaeróbicos e ausência de resistência, podendo ser usado na gestação. Doxicilina é a droga de segunda escolha e a clindamicina a terceira (S).

- PROBIÓTICOS
Estudos preliminares indicam resultados promissores no tratamento com probióticos combinando-se enxaguantes com antimicrobióticos e o Streptococcus salivarius(C).

- PROBIÓTICOS ORAIS
- Effects of Yoghurt on the Human Oral Microbiota and Halitosis K.
HOJO*, T. OHSHIMA, A. YASHIMA, K. GOMI, and N. MAEDA, Tsurumi University – Yokohama, Japan
- A redução do mau hálito seria causada por bactérias ativas no iogurte, especificamente Lactobacillus bulgaricus e Streptococcus thermiphilus.
- Distribution and persistence of probiotic streptococcus salivarius k12 in the human oral cavity (oral microbiology immunology 2007).
- The rationale and potential for the reduction of oral malodour using Streptococcus salivarius probiotics (Oral Diseases (2005)

HALITOSE E O Trato Gastrointestinal (TGI)

- Divertículo de Zenker
- Estenose Pilórica
- CA de Esôfago e Gástrico
- Hepatopatias
- DRGE
- Helicobacter Pylori
- Disfunções Intestinais
- Balão Intrástrico e Gastroplastias (novas formas)

GERD E HALITOSE
- ‘O primeiro provável mecanismo que justifica a GERD causar halitose é o dano direto que o conteúdo gástrico causa sobre a mucosa orofaríngea’.

- Mamed et all, 2004 – ‘Mosrtou que a prevalência de hipertrofia severa dos folículos finfóides encontrados na base da língua foi marcadamente aumentado de 1,6%, na população saudável, para 7,5% entre os pacientes com GERD’. 
Halitosis and gastroesophageal reflux disease (GERD): a possible association – M Moshkowitz, N Horowitz, M Leshno, Z Halpern – Oral Disease,2007.

Uma forte correlação foi vista entre sintomas que representam tipicamente a GERD tais como azia (p=0,027), regurgitação (p=0,002), eructação (p=0,001) e GOSTO AZEDO (p<0,001) com HALITOSE. 

Halitosis and gastroesophageal reflux disease (GERD): a possible association – M Moshkowitz, N Horowitz, M Leshno, Z Halpern – Oral Disease,2007.

CONCLUSÃO

‘HALITOSE É UM FREQUENTE SINTOMA DE GERD E PODE SER CONSIDERADA UMA MANIFESTAÇÃO EXTRA ESOFÁGICA DESTA DOENÇA’. 

HELICOBACTER PYLORI E HALITOSE ASSUNTO POLÊMICO


1 – Em dispépticos independente da condição de presença ou ausência de H.p na mucosa gástrica, 97% dos pacientes são portadores de H.p na cavidade oral e na placa dentária.
Song,Q et cols - J. Med Microbiol 2000; 49:349-353
Thomaz,E et cols – The American J. Gastroent1997;

2 – A presença do H. pylori na cavidade oral é transitória ou esse microorganismo faz parte da microbiota oral?

3- Há fatores de risco favorecendo seu crescimento na cavidade oral?
ESTUDO DA CORRELAÇÃO ENTRE PACIENTES DISPÉPTICOS PORTADORES DE HELICOBACTER PYLORI NA MUCOSA GÁSTRICA E COMPONENTES SULFURADOS VOLÁTEIS
CONCLUSÃO:
 *O aumento da concentração dos C S V na cavidade oral aumentam
a níveis patológicos concomitantemente com a presença do H. pylori
causando infecção gástrica.
Pacientes dispépticos que afirmam possuírem halitose na sua maioria também
são portadores desta bactéria no estômago. 
 
 
GÁS E O TRATO GASTROINTESTINAL
  
DISFUNÇÕES INTESTINAIS

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